7. GUIA 12.6.13

1. SEU CO EST COM DOR?
2. A DISCRIO DOS FELINOS
3. TOSSE  COISA SRIA
4. PARTO SEM RISCO

1. SEU CO EST COM DOR?
ELES NO RECLAMAM. DIFICILMENTE CHORAM E NUNCA APONTAM ONDE EST O INCMODO. INFELIZMENTE, ISSO NO SIGNIFICA QUE O MELHOR AMIGO DO HOMEM SEJA IMUNE  DOR. "MUITAS VEZES, O DONO S PERCEBE QUE H UM PROBLEMA DEPOIS DE O ANIMAL PASSAR VRIOS DIAS SEM COMER, O QUE SIGNIFICA QUE A DOR J ATINGIU UM NVEL INTENSO", EXPLICA A VETERINRIA FERNANDA FRAGATA, DIRETORA DO HOSPITAL VETERINRIO SENA MADUREIRA, EM SO PAULO.

Alm de evitar o sofrimento prolongado, o diagnstico precoce s traz benefcios. Afinal,  mais fcil e eficiente tratar doenas em estgio inicial, associando medicamentos a sesses de fisioterapia ou acupuntura. E, assim como acontece com os seres humanos, no h bom humor que resista  dor crnica. "Uma dor de dente, por exemplo, pode ser a causa do temperamento agressivo, e o tratamento pode revelar um novo animal, mais dcil ou brincalho", diz o veterinrio Eduardo Schmidt, scio do Hospital Veterinrio Rebouas, em So Paulo. E ateno: as baixas temperaturas aumentam a sensibilidade  dor, em especial quando sua origem est nas articulaes. Portanto, para evitar que os cezinhos sofram em silncio, principalmente no inverno,  importante ficar atento aos sinais que eles enviam quando algo est errado. Alm dos sintomas genricos  apatia, tremor e falta de apetite , h outras manifestaes sutis de dor que podem indicar problemas especficos. 

COMER MENOS
O que acontece: aqui, no se trata de falta de apetite. O animal demonstra interesse pela comida, mas se recusa a comer. O problema pode aparecer de duas maneiras: numa situao, o cozinho se aproxima do pote de rao, mas no se abaixa para comer. Em outros casos, ele tenta mastigar a comida, mas logo cospe o alimento. 
O que o comportamento pode significar: quando o cachorro d uma ou duas mordidas e desiste de mastigar a comida, o problema pode ser dentrio ou na gengiva, ou pode ainda significar a presena de um tumor na regio bucal. Por outro lado, a recusa em se abaixar  um indcio claro de dor na coluna cervical. A dor pode ser provocada por uma reduo no espao entre as vrtebras, bico de papagaio ou hrnia de disco. Nesse caso, alm do tratamento medicamentoso prescrito pelo veterinrio, o dono deve usar um suporte para elevar a tigela de rao e evitar, assim, que o animal precise abaixar a cabea para comer.

REBOLAR
O que acontece: o que pode ser considerado um charme para os humanos pode ser um alerta de dor ou incmodo, principalmente em ces de grande porte, como labrador, pastor-alemo e rottweller. 
O que o comportamento pode significar: artrite, artrose ou displasia coxofemoral, doena osteoarticular dos quadris. O excesso de molejo deve ser investigado pelo veterinrio, e o tratamento envolve medicamentos, fisioterapia ou cirurgia. 

ESFREGAR A PATA NO ROSTO
O que acontece: o gesto repetido vrias vezes ao longo do dia d a impresso de que o animal acaricia o prprio focinho ou tenta remover um cisco dos olhos. 
O que o comportamento pode significar: a suspeita  de um problema nos olhos, como conjuntivite ou doena do olho seco, em que a falta de lubrificao ocular causa leses na crnea. O tratamento, nesse caso,  feito  base de colrios. O hbito pode representar ainda excesso de trtaro, que provoca dores na gengiva e nos dentes ou fraturas dentrias  sim, os animais tambm so submetidos a dolorosos tratamentos de canal. Na pior das hipteses, a explicao pode estar em um tumor na laringe, boca, palato, glote ou lngua.

MANCAR
O que acontece: o gesto  facilmente confundido com problemas nas patas, mas a origem da dor nem sempre est nos membros. 
O que o comportamento pode significar: dores nas regies lombar e torcica da coluna podem se refletir em uma das patas. Como resultado, o animal passa a mancar quando corre ou caminha. Alm disso, o co reluta em subir nos mveis e movimenta-se mais lentamente, principalmente ao deitar-se e levantar-se. "Ele fica rodando antes de deitar, enquanto procura uma posio menos desconfortvel", diz Fernanda Fragata. Quando o animal tem o hbito de subir escadas ou em sofs e camas  o que pode agravar o problema e provocar paralisia dos membros posteriores ,  fundamental impedir seu acesso, com obstculos e adestramento. 

CHACOALHAR A CABEA
O que acontece: o animal chacoalha a cabea com frequncia, como fazem os ces quando esto molhados. 
O que o comportamento pode significar: na grande maioria das vezes, esse hbito est associado a dor de ouvido. Para tratar a otite, o veterinrio prescreve analgsico e medicamentos especficos para a inflamao ou a infeco aguda dos ouvidos. 

LEVANTAR UMA PATA ENQUANTO ANDA OU CORRE
O que acontece: durante uma corrida ou caminhada, o bicho levanta uma das patas traseiras por dois ou trs passinhos. O gesto  rpido e pode passar despercebido, mas o hbito  sinal de algo mais srio do que uma simples pedrinha no caminho. 
O que o comportamento pode significar: o animal pode estar sofrendo uma luxao na patela, o osso do joelho. Durante o exerccio, ocorre um deslocamento nessa articulao e o animal, em um movimento rpido, recoloca-a no lugar. Alm de provocar dor, a luxao predispe o co a desenvolver artrose no decorrer da vida.  mais comum em raas de pequeno porte, como yorkshire, malts e poodle. 


2. A DISCRIO DOS FELINOS
Ao contrrio dos ces, os enigmticos gatos no costumam dar dicas aos donos sobre possveis problemas de sade. Mesmo quando o fazem, os sinais no chegam muito claros aos humanos. Os bichanos ficam apticos e, se a dor passa a incomodar alm da conta, comeam a perder o apetite. Como so animais cheios de manias, pequenas alteraes nos hbitos dos felinos (por exemplo, a escolha de outro local para dormir) podem ser indcios de dor. Outra dica: xixi ou fezes fora da caixa de areia merecem investigao  afinal, os gatos so obcecados por higiene. Com tanto mistrio, o trabalho do veterinrio  prejudicado. "Qualquer suspeita de dor deve ser tratada, mesmo quando no  possvel confirmar o diagnstico", diz o veterinrio paulista Eduardo Schmidt, do Hospital Veterinrio Rebouas.


3. TOSSE  COISA SRIA
Nos animais de estimao, a tosse no deve ser encarada como sintoma de leve resfriado ou inofensivo engasgo. Nos ces, ela tem de ser investigada quanto antes  uma simples radiografia pode revelar desde bronquites at problemas cardacos. O veterinrio Mrio Marcondes, do Hospital Veterinrio Sena Madureira, aponta as principais causas de tosse nos cachorros:

GRIPE CANINA
Causada pelo vrus da parainfluenza canina ou por uma bactria chamada Bordetella, a gripe canina  mais comum em locais com grande concentrao de animais, como canis e hotis de mascotes, e nos perodos de clima frio e seco. Sem tratamento, pode evoluir para uma grave pneumonia .

BRONQUITE
A tosse de origem alrgica surge em decorrncia de predisposio gentica. O tratamento inclui o uso de broncodilatadores, anti-histamnicos e corticoides, mas as medidas preventivas so fundamentais. Para evitar o contato com o agente alergnico  a poeira , nada de deixar o cozinho em ambientes com carpetes, tapetes e cortinas ou em obras. 

COLAPSO DA TRAQUEIA
A flacidez resultante da fraqueza dos anis cartilaginosos em ces idosos de pequeno porte provoca o estreitamento das vias respiratrias. O cozinho sente falta de ar e, durante uma crise, pode at desmaiar.

DOENA CARDACA
A causa mais frequente de problemas cardacos em ces  a insuficincia da vlvula mitral, em que o desgaste de uma vlvula cardaca provoca o aumento do corao  que passa a comprimir a traqueia e, assim, afeta a respirao. Nesse caso, a frequncia da tosse ajuda o veterinrio a controlar as doses dos medicamento .


4. PARTO SEM RISCO
O acompanhamento mdico da gestao pode prevenir o sofrimento desnecessrio da cadela ou da gatinha durante o parto. Embora o instinto maternal seja o principal condutor do processo, h situaes em que a interferncia pode salvar a vida dos bebs ou da me. "Cadelas de raas pequenas, que pesam menos de 4,5 quilos, como yorkshire e pinscher, tm mais risco de sofrer complicaes no parto", explica a veterinria Carla Alice Berl, diretora do Centro Veterinrio PetCare, em So Paulo. Saber quantos filhotes esto a caminho, por exemplo, ajuda os donos a ter algum controle sobre a situao. O tempo mdio entre o nascimento de um filhote e outro  de quarenta minutos. Se esse intervalo ultrapassar uma hora,  preciso entrar em contato com o veterinrio, pois uma cesariana pode ser necessria. A cirurgia tambm  indicada quando o filhote cresce alm do esperado ou quando a ninhada  numerosa demais. No primeiro caso, a me pode no ter dilatao suficiente. No segundo, o esforo excessivo pode exauri-la. Ultrassom e radiografia no fim da gestao (que dura, em mdia, sessenta dias) podem determinar o tamanho, a quantidade e o posicionamento dos filhotes no tero do animal.

DANIELA MACEDO daniela.macedo@abril.com.br
 

